Publicado em 16/09/2026 • Pavimentação
Calçada, garagem, entrada de sítio, pátio de galpão, rua de loteamento: em boa parte das obras do interior de Minas, a pergunta sobre o piso externo acaba chegando ao pavimento intertravado, o popular bloquete ou paver. A escolha faz sentido: é um piso que aceita tráfego de veículos, pode ser liberado logo após a execução, desmonta e remonta quando é preciso mexer numa tubulação e deixa parte da água infiltrar pelas juntas. Mas o desempenho dele depende muito menos da peça que aparece por cima e muito mais do que está embaixo. Bloquete que afunda em trilha de pneu, solta nas bordas ou fica ondulado depois da primeira chuva forte quase sempre é problema de base, areia ou contenção, não do concreto.
O assunto é tratado pela ABNT em três frentes. A NBR 9781 especifica as peças de concreto para pavimentação e os ensaios de aceitação. A NBR 15953 cuida da execução do pavimento intertravado. E a série NBR 16416 trata dos pavimentos permeáveis de concreto. Todas passaram por revisão apresentada pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) em junho de 2026, resultado de quase três anos de trabalho técnico. Na reorganização, a antiga NBR 16416:2015 foi cancelada em 27 de fevereiro de 2026 e deu lugar à NBR 16416-1 (pavimento permeável intertravado) e à NBR 16416-2 (pavimento permeável de concreto moldado no local).
Uma novidade que chama atenção: a NBR 9781 e a NBR 6136 (blocos de concreto para alvenaria) passaram a ser as primeiras normas brasileiras de produto para construção a incorporar requisitos ambientais, recomendando que o fabricante informe indicadores como emissão de CO₂, demanda de energia primária, consumo de água e geração de resíduos, conforme a NBR 14025.
Pela NBR 9781, a peça de concreto para pavimentação deve ter resistência à compressão de pelo menos 35 MPa para tráfego de pedestres, veículos leves e veículos comerciais. Onde há veículos especiais ou solicitação que gera abrasão intensa, como pátio de máquinas ou área de manobra de caminhão pesado, o mínimo sobe para 50 MPa. A espessura mínima é de 60 mm, e as peças são fabricadas em incrementos de 20 mm (60, 80, 100 mm), escolhidos em projeto conforme a carga.
A revisão também mudou a forma de aceitar um lote. Antes, uma média de resistência alta podia compensar peças individuais bem abaixo do esperado. O novo critério adota uma abordagem não paramétrica com amostragem parcial, que impede essa compensação estatística. Para quem compra, a recomendação é simples: pedir ao fornecedor o laudo de ensaio do lote e desconfiar de bloquete sem controle de fabricação, por mais barato que seja. Peça fraca desgasta, lasca nas quinas e quebra sob roda de caminhão.
Um pavimento intertravado é um sistema em camadas, e cada uma tem função:
Um erro comum é tentar corrigir defeito da base engrossando a areia de assentamento. Areia em camada espessa se acomoda de forma desigual com o tráfego e produz as famosas trilhas de roda. O nivelamento correto se faz na base, não na areia.
Sem contenção, o intertravamento não existe: as peças da borda escorregam para fora e o pavimento vai se abrindo de fora para dentro. Por isso toda área precisa ser confinada por meio-fio, guia ou viga de concreto antes do assentamento. Em terrenos inclinados, situação frequente em Piranga e região, vale reforçar a contenção na cota mais baixa e prever pontos intermediários de travamento em rampas longas.
O caimento é o outro cuidado indispensável. A água que não escoa pela superfície entra pelas juntas, satura a base e carrega os finos. Sem declividade suficiente e sem canaletas ou bocas de lobo nos pontos baixos, o pavimento perde sustentação por baixo. Se a proposta é justamente deixar a água infiltrar, o caminho é projetar um pavimento permeável segundo a NBR 16416, com base drenante e peças próprias, e não usar bloquete comum esperando que ele funcione como piso drenante.
O arranjo das peças não é só estético. A NBR 15953 trata a paginação como parte da execução, e o arranjo em espinha de peixe é o que favorece o intertravamento, sendo o mais usado em áreas com tráfego de veículos, porque resiste melhor aos esforços de frenagem e de manobra. Arranjos em fileira atendem bem calçadas e áreas de pedestre, desde que orientados em relação ao sentido do tráfego conforme o projeto.
A norma revisada estabelece que a periodicidade da manutenção depende da exposição e da intensidade do tráfego, e lista os procedimentos: limpeza, recomposição do material das juntas e reparos localizados. A grande vantagem do sistema aparece aqui: quando uma tubulação precisa ser trocada ou uma peça quebra, basta retirar a área afetada, refazer a base se necessário e recolocar as mesmas peças, sem o remendo visível que fica no concreto ou no asfalto. Vale também tratar cedo o crescimento de vegetação nas juntas e repor a areia que a chuva e a lavagem com jato levam embora.
Não existe resposta única. O concreto moldado no local tende a ser mais indicado para cargas muito concentradas e pisos industriais; o asfalto é competitivo em grandes extensões viárias. O intertravado ganha em áreas residenciais e comerciais, em calçadas e em locais que vão precisar de intervenção futura em redes enterradas, além de dispensar tempo de cura antes de liberar o uso. O que define o custo real é o conjunto: preparo do solo, espessura de base, contenções e drenagem pesam tanto quanto a peça.
Na Electo Maciel Construtora, o piso externo entra no planejamento junto com a terraplenagem e a drenagem do terreno, e não como acabamento de última hora. Se você está planejando garagem, calçamento ou pátio em Piranga e região, fale com a nossa equipe para dimensionar base, contenção e escoamento antes de comprar o primeiro milheiro de bloquete.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
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