Publicado em 12/09/2026 • Vedações
Por muito tempo o drywall carregou a fama de material provisório, de divisória de escritório. Essa leitura envelheceu: o sistema é hoje uma vedação interna normalizada, com desempenho previsto em norma e crescimento médio próximo de 13% ao ano, segundo a associação do setor — que em 2025 passou a se chamar Associação Brasileira da Construção Leve e Sustentável. E a norma que rege o sistema foi reescrita em setembro de 2025.
Até o ano passado, o sistema era normalizado em três partes publicadas em 2009: a NBR 15758-1 tratava de paredes, a 15758-2 de forros e a 15758-3 de revestimentos. As três foram canceladas em setembro de 2025 e substituídas por uma norma única, a ABNT NBR 15758 — Sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall — Projeto, desempenho, procedimentos executivos para montagem e manutenção de paredes, forros e revestimentos. O texto novo reúne num só documento o que estava dividido e passa a tratar explicitamente de desempenho e de manutenção, não apenas de montagem.
A consequência prática vale o alerta: memorial descritivo, caderno de encargos e planilha de orçamento que citam "NBR 15758-1:2009" estão referenciando norma cancelada. Em obra privada isso passa batido; em obra pública, em financiamento bancário e em discussão técnica posterior, enfraquece o documento. Seguem vigentes as normas dos componentes: a NBR 14715 (partes 1 e 2), das chapas de gesso, e a NBR 15217:2018, dos perfis de aço galvanizado — é o que se exige na nota fiscal do material.
Existem três chapas básicas, e a diferença entre elas não é estética. A ST (standard, miolo branco) é a de uso geral, para ambientes secos: quarto, sala, corredor. A RU (resistente à umidade, cartão verde) recebe aditivos hidrofugantes à base de silicone e parafina no núcleo; pela NBR 14715 sua absorção de água fica limitada a 5%, contra mais de 30% da ST. A RF (resistente ao fogo, cartão rosa ou vermelho) leva fibra de vidro na composição, que mantém a integridade da chapa por mais tempo sob temperatura alta — é o que se especifica em caixa de escada, casa de máquinas e compartimentação de incêndio.
O ponto que mais gera reclamação de cliente é entender a RU como chapa impermeável. Ela não é: foi feita para umidade intermitente — vapor de banho, respingo de pia, condensação ocasional. Área com água corrente, como a parede do box, exige o tratamento completo previsto em projeto: chapa RU, impermeabilização sobre a chapa e revestimento cerâmico. Chapa RU nua atrás de um chuveiro é retrabalho marcado para daqui a dois anos.
Uma parede de drywall pesa, dependendo da composição, entre 22 e 50 kg/m². Uma parede de alvenaria de bloco cerâmico revestida nos dois lados fica na faixa de 120 a 150 kg/m². A redução de três a cinco vezes na carga permanente vale dinheiro em dois cenários: redividir ambientes de um pavimento já construído sem jogar carga nova sobre uma laje dimensionada para outro arranjo, e ampliar na vertical, onde cada tonelada poupada em vedação não precisa ser reforçada em pilar e fundação. Em obra nova o ganho está no cronograma: montagem a seco, sem cura, sem molhar a obra.
O que essa leveza não autoriza é usar o sistema fora do lugar: drywall é vedação interna e não estrutural. Parede externa exposta ao tempo, muro e parede com função estrutural são outro assunto.
"Drywall não segura peso" é meia verdade. Segura, dentro de regras que a associação do setor publica e que dependem do tipo de fixação:
Para carga alta e localizada — armário de cozinha cheio, bancada suspensa, aquecedor — a solução não é bucha melhor, é reforço interno: chapa metálica ou peça de madeira montada dentro da parede, na posição exata, antes de fechar. Decide-se em projeto, não no dia da instalação. E o óbvio que se vê errado em obra toda semana: bucha comum de alvenaria em chapa de gesso vai soltar.
A vantagem acústica do drywall é real, mas vem do conjunto, não do gesso: chapa dupla, cavidade preenchida com lã mineral, vedação perimetral bem executada e, quando o projeto exige mais, estrutura desencontrada entre as duas faces. A ABNT NBR 15575, a norma de desempenho, estabelece patamares de isolamento sonoro entre unidades habitacionais, a partir de 45 dB — e composições de drywall com lã atendem a isso com folga.
Duas ressalvas honestas. O número do catálogo é de laboratório (Rw) e o ensaio de campo (DnT,w) tende a vir alguns decibéis abaixo, porque a obra tem tomada, tubulação e rodapé que o laboratório não tem. E sem a lã na cavidade a parede pode isolar menos que a alvenaria: é aí que nasce a fama de "parede que se ouve tudo".
A montagem é rápida, e é por isso que o erro fica escondido. Quatro pontos merecem acompanhamento: a locação das paredes contra o projeto, antes de parafusar a primeira chapa; a elétrica e a hidráulica por dentro da estrutura, testadas antes de fechar o segundo lado; o tratamento de juntas com fita e massa nas demãos previstas, que evita a trinca no eixo da chapa; e os reforços para carga e para batente de porta, que precisam já estar no lugar. Depois de fechada e com a massa aplicada, qualquer um desses itens custa demolição de trecho.
Na prática, o drywall entra bem em reforma e redivisão de ambiente, em forro, em revestimento de parede existente e em obra nova onde o prazo aperta — sempre com a chapa certa para cada ambiente e os reforços definidos em projeto. A Electo Maciel Construtora executa e especifica esses sistemas em Piranga e região, e a conversa começa no mesmo lugar: entender o uso de cada parede antes de escolher o material dela.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
Obras reais da Electo Maciel em Piranga e região. Toque para ver a obra completa.