Publicado em 09/09/2026 • Instalações elétricas
O Brasil é o país que mais recebe descargas atmosféricas no mundo, e Minas Gerais está no topo da lista interna. Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o país registrou 590 milhões de descargas entre 2018 e 2022 — uma média de 118 milhões por ano. No ranking por número absoluto de ocorrências nesse período, Minas Gerais aparece em quarto lugar, atrás apenas de Amazonas, Pará e Mato Grosso. Os raios matam cerca de 110 pessoas por ano no país e deixam mais de 200 feridas.
Para quem constrói ou reforma na região de Piranga, essa não é uma estatística distante. Terreno alto, edificação isolada, telhado metálico, caixa d’água elevada, entrada de energia por rede aérea rural: são situações comuns aqui e todas entram na conta de risco. E o assunto ganhou fôlego novo em 2026, porque a norma que rege o tema foi inteiramente revisada.
SPDA é a sigla de Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas — o que popularmente se chama de para-raios. O nome popular gera uma confusão que vale desfazer logo: o sistema não repele o raio nem impede que ele caia. O que ele faz é oferecer um caminho preferencial e controlado para a corrente, conduzindo-a do ponto mais alto da edificação até o solo sem passar pela estrutura, pela fiação ou pelas pessoas.
Um SPDA completo tem três partes indissociáveis. O subsistema de captação são as hastes, cabos ou malhas no ponto mais exposto, normalmente a cobertura. O subsistema de descida são os condutores que levam a corrente até o solo, distribuídos pelo perímetro. E o subsistema de aterramento é o conjunto de hastes e cabos enterrados que dissipa a energia no terreno. Falhar em qualquer um dos três anula os outros dois: um captor impecável ligado a um aterramento mal executado é um problema, não uma proteção.
O engano mais comum é achar que existe uma regra simples do tipo “acima de tantos metros, precisa de para-raios”. Não existe. A norma brasileira determina a necessidade do sistema por meio de um cálculo que cruza a densidade de raios da região, as dimensões e a altura da edificação, o tipo de cobertura e de estrutura, o entorno (se há prédios ou árvores mais altas por perto), o tipo de ocupação e as linhas de energia e de dados que chegam ao imóvel. O resultado é comparado com um risco tolerável. Se ultrapassar, o SPDA é exigido; se não, medidas mais simples podem bastar.
Na prática, isso significa que uma casa térrea isolada no alto de um morro, com telhado metálico e alimentação por rede aérea, pode exigir proteção onde um sobrado no meio de um quarteirão urbano não exige. É por isso que o estudo tem que ser feito caso a caso, por profissional habilitado e com ART emitida.
Em 10 de março de 2026 a ABNT publicou a nova edição da NBR 5419, que cancela e substitui integralmente as quatro partes da versão de 2015. A divisão em quatro partes foi mantida: princípios gerais, análise de risco, danos físicos a estruturas e perigos à vida, e sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura. As mudanças de fundo estão na metodologia.
Três pontos merecem atenção de quem projeta ou contrata obra agora. Primeiro, os valores de densidade de descargas atmosféricas para o solo (o parâmetro NG) foram atualizados com base em dados de satélites e sensores, e muitos municípios brasileiros passaram a ter valor de referência mais alto que na edição anterior — na prática, mais edificações caem na faixa que exige proteção. Segundo, o procedimento antes chamado de gerenciamento de risco passou a se chamar análise de risco, com a introdução do conceito de frequência de dano, voltado a sistemas cuja falha interrompe serviços. Terceiro, a avaliação deixou de olhar apenas para o risco de perda de vida humana e passou a distinguir equipamentos críticos de não críticos.
Sistemas projetados e mantidos corretamente sob a edição de 2015 continuam válidos, e a inspeção de um SPDA existente é feita contra a norma vigente à época do projeto. Mas projetos novos, reformas e alterações significativas precisam seguir a edição de 2026. Se você tem um projeto elétrico engavetado desde antes de março, vale revisar o memorial antes de executar.
Na nossa experiência, o ponto fraco raramente é o captor: é o que está enterrado. Aterramento executado com número insuficiente de hastes, conexões feitas com material errado, emenda sem solda exotérmica ou conector adequado e ausência de caixa de inspeção são falhas que só aparecem anos depois, quando ninguém mais lembra de quem fez.
Igualmente crítica é a equipotencialização. Todas as massas metálicas da edificação — estrutura, tubulações, eletrodutos, esquadrias, guarda-corpos, suportes de painéis fotovoltaicos — devem estar ligadas ao mesmo barramento de aterramento. Quando a corrente desce por um caminho e a tubulação metálica está em outro potencial, aparece a diferença de tensão que provoca centelhamento e choque. A barra de equipotencialização principal é um item barato de obra e caro de corrigir depois que o contrapiso está pronto.
Outro mal-entendido caro. O SPDA protege a estrutura e as pessoas contra o dano físico da descarga direta. Ele não protege eletrodomésticos, roteador, portão eletrônico, central de alarme ou inversor solar. Esses queimam por surto de tensão que chega pela rede elétrica ou pela linha de dados, muitas vezes vindo de um raio que caiu longe da casa.
A proteção contra sobretensões é assunto da NBR 5410, a norma de instalações elétricas de baixa tensão, e se resolve com DPS (dispositivo de proteção contra surtos) no quadro de entrada, complementado por DPS de segundo estágio nos quadros que alimentam equipamentos sensíveis. Em imóvel atendido por rede aérea em zona rural, esse item deixou de ser opcional há muito tempo. Custa uma fração do valor de repor os equipamentos de uma casa inteira.
SPDA é sistema exposto ao tempo: corrosão nas conexões, cabo de descida rompido por reforma de fachada, resistência de aterramento que sobe na estiagem. A norma prevê inspeções periódicas, com frequência ligada ao risco da estrutura, e inspeção extraordinária sempre que a edificação for atingida por uma descarga ou sofrer alteração relevante. Corpo de Bombeiros e seguradoras costumam pedir laudo com medição de resistência de aterramento — vale guardar o relatório junto da documentação da obra.
Se você vai construir, reformar a cobertura, instalar painéis fotovoltaicos ou regularizar uma edificação existente, o momento certo de tratar do SPDA é no projeto, junto com o elétrico, e não depois de o telhado estar fechado. A Electo Maciel Construtora trabalha com projeto e execução integrados em Piranga e região, e a análise de risco entra na conversa desde o orçamento.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
Obras reais da Electo Maciel em Piranga e região. Toque para ver a obra completa.