Publicado em 21/07/2026 • Boas práticas
Grandes obras trazem grandes ensinamentos, e isso vale tanto para uma metrópole quanto para uma cidade do interior de Minas Gerais. Empresas internacionais que constroem represas, metrôs e estruturas de contenção nuclear desenvolveram, ao longo de décadas, práticas de gestão que hoje orientam boa parte do setor. Reunimos aqui casos reais e verificáveis de quatro construtoras de referência mundial - Bechtel, Turner Construction, VINCI Construction e Skanska - e o que uma construtora brasileira, de qualquer porte, pode adaptar da experiência delas.
A americana Bechtel constrói há quase um século algumas das obras mais complexas do planeta, da Represa Hoover, nos anos 1930, à Cidade Industrial de Jubail, na Arabia Saudita, e ao Metro de Riad, um dos maiores sistemas de trilhos em construção no mundo. O que essas obras têm em comum não é só a escala, mas a disciplina de controle: previsão de recursos baseada em dados reais de consumo, e não apenas em planejamento teórico; uma cadeia de suprimentos global com fornecedores de confiança de longo prazo; e gestão de contratos, orçamento e cronograma tratada como responsabilidade central da liderança do projeto, não como tarefa acessória.
O que dá para aprender: medir o consumo real de material e mão de obra, e ajustar o planejamento com base nisso obra após obra, é mais confiável do que confiar só na planilha inicial.
A Turner Construction, uma das maiores construtoras dos Estados Unidos, mantém um programa chamado Building L.I.F.E. (Living Injury Free Every Day), cujo princípio central é o reforço positivo do comportamento seguro no canteiro, envolvendo todos os elos da obra, não apenas a equipe de segurança. O programa parte de planejamento prévio de cada atividade, treinamento constante e inspeções obrigatórias, guiado pela premissa de que toda lesão é evitável. Esse trabalho contribuiu para prêmios como o Construction Industry Safety Excellence Award 2023, do Construction Users Roundtable, e reconhecimentos regionais do Engineering News-Record em projetos como um data center em Chicago e o museu Meow Wolf, em Denver. A empresa também é referência em Lean Construction, metodologia voltada a eliminar etapas e desperdícios desnecessários para melhorar prazo, qualidade e satisfação do cliente.
O que dá para aprender: segurança que funciona é a que vira hábito diário do time inteiro, reforçada com planejamento antes de cada etapa, não um cartaz na entrada da obra ou uma auditoria mensal.
Poucas obras testaram a engenharia como a construção do Novo Confinamento Seguro de Chernobyl, na Ucrania. O consórcio Novarka, liderado pela VINCI Construction Grands Projets em parceria com a Bouygues Travaux Publics, projetou e ergueu um arco metálico de mais de 30 mil toneladas, uma das maiores estruturas móveis já construídas, capaz de resistir a temperaturas de -43°C a +45°C, a um tornado F3 e a um terremoto de magnitude 6. Para proteger os trabalhadores do local contaminado, a estrutura foi montada a distância do reator danificado e só depois deslizada sobre o local final. O projeto, orçado em 2,1 bilhões de euros, foi entregue às autoridades ucranianas em 2019.
O que dá para aprender: buscar formas de executar a etapa mais arriscada da obra fora do local final ou a distância, como no arco de Chernobyl, é um princípio de segurança que qualquer canteiro pode adaptar em escala menor, da pré-fabricação de estruturas ao içamento programado.
A sueca Skanska, uma das maiores construtoras do mundo, definiu a meta de zero emissão líquida de carbono até 2045 em toda a cadeia de valor, com redução de 70% nas emissões operacionais já até 2030. Na prática, isso significa uso de equipamentos elétricos de zero emissão em obras ativas, como escavadeiras elétricas em projetos nos Estados Unidos e na Europa, e o desenvolvimento de um asfalto de emissão quase zero. Dois projetos da empresa viraram referência em certificação ambiental: o Kendeda Building, certificado pelo Living Building Challenge, considerado um dos padrões mais rigorosos do mundo para edificações sustentáveis, e o Terminal B do aeroporto LaGuardia, primeiro terminal aeroportuário do mundo certificado Envision Platinum.
O que dá para aprender: sustentabilidade vira prática quando tem meta numérica e prazo definido, não quando fica só no discurso institucional.
Nenhuma dessas empresas chegou a essa maturidade da noite para o dia, são décadas de obras, erros e ajustes. Mas os princípios por trás dos casos acima não dependem de escala: medir em vez de supor, tratar segurança como cultura diária, buscar formas mais seguras de executar etapas críticas e transformar sustentabilidade em meta concreta valem tanto para um metro em Riad quanto para uma obra residencial em Piranga, Minas Gerais. É esse tipo de referência, real e verificável, que deve orientar a forma como uma construtora brasileira encara cada obra: aprender com quem já testou essas práticas em escala global e adaptar o que faz sentido para a realidade local.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.