Publicado em 03/08/2026 • Patologias construtivas
Poucas etapas de uma obra são tão invisíveis — e tão decisivas — quanto a impermeabilização. Enquanto acabamentos, fachadas e projetos de interiores concentram a atenção de quem constrói, mantas e argamassas impermeabilizantes ficam escondidas sob o piso, atrás da parede ou embaixo da laje. O problema é que, quando essa etapa falha, o resultado aparece meses ou anos depois na forma de mancha, mofo, bolha na pintura ou trinca — e o reparo custa muito mais do que teria custado fazer certo da primeira vez.
A impermeabilização de edificações no Brasil é regida pela ABNT NBR 9575 (Impermeabilização — Seleção e projeto), atualizada em 2024. A norma estabelece que a impermeabilização não é um serviço avulso a ser contratado no fim da obra, mas um projeto técnico que deve ser desenvolvido junto com o projeto estrutural, hidráulico e arquitetônico, ainda na fase de planejamento. Isso significa definir, antes de a primeira fôrma ser montada, qual sistema será usado em cada área — manta asfáltica, argamassa polimérica, membrana acrílica — considerando o tipo de solicitação (água de chuva, lençol freático, água de uso constante em banheiros e piscinas) e as condições de exposição de cada superfície. Fundações, reservatórios, lajes de cobertura, terraços, jardineiras, banheiros e áreas de piscina são os pontos que a norma trata com mais rigor, justamente por serem os que mais sofrem com água acumulada ou pressão hidrostática ao longo do tempo.
Falhas de impermeabilização raramente aparecem de imediato. Os sintomas mais comuns — manchas de umidade, bolhas na pintura, eflorescência (aquele pó esbranquiçado na superfície da parede), corrosão da armadura de concreto e trincas — costumam surgir de forma gradual, o que faz muita gente confundir o problema com desgaste natural do imóvel. Na origem, no entanto, está quase sempre a mesma combinação: execução malfeita, material inadequado para o uso da área ou, simplesmente, a decisão de cortar esse custo da obra para economizar no orçamento inicial. Como a impermeabilização fica embaixo do piso ou atrás do revestimento, o defeito só se torna visível quando a água já percolou por toda a camada de proteção — e, nesse ponto, o problema deixou de ser superficial.
É aqui que a diferença de abordagem se traduz em número. Quando a impermeabilização é executada durante a construção, como parte do projeto, o custo fica entre 2% e 3% do valor total da obra. Quando o problema só é identificado depois da entrega — com o imóvel ocupado, acabamentos prontos e, muitas vezes, mobília no lugar —, o reparo passa a exigir quebra de piso, remoção de revestimento, reaplicação do sistema impermeabilizante e reconstrução do acabamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI Brasil), esse tipo de correção pode representar de 10% a 15% do custo total da obra, chegando a 50% em casos de recuperação estrutural mais grave, quando a infiltração já corroeu armadura ou comprometeu a laje. Em outras palavras: o mesmo serviço, feito na hora certa ou como emergência, pode custar até vinte vezes mais dependendo do momento em que é decidido.
Algumas áreas concentram a maior parte dos problemas relatados em vistorias e perícias técnicas:
Nenhum material impermeabilizante, por melhor que seja, compensa aplicação malfeita ou detalhe de projeto ignorado — encontro de laje com parede, ralo mal posicionado, junta de dilatação sem tratamento adequado. É por isso que a NBR 9575 coloca o projeto de impermeabilização ao lado do projeto estrutural, e não como um item de acabamento a ser resolvido na correria do fim da obra. Para quem está construindo, o ponto prático é simples: perguntar, ainda na fase de orçamento, qual é o projeto de impermeabilização previsto para cada área crítica do imóvel, e acompanhar a execução dessa etapa com o mesmo rigor dedicado à estrutura — porque é dela, silenciosamente, que depende a durabilidade de tudo o que vem depois.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.