Publicado em 16/06/2026 • Desafios do setor
A dificuldade para contratar mão de obra qualificada deixou de ser uma percepção isolada de construtoras e passou a aparecer com clareza nas pesquisas setoriais. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) citado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 82% das empresas do setor relataram dificuldade para contratar trabalhadores no primeiro trimestre de 2025 — o maior índice desde 2012. No recorte de serviços especializados, como instalações elétricas, hidráulicas e acabamento, a dificuldade de contratação chegou a 70% das empresas consultadas.
O quadro não é exclusividade brasileira, mas aqui se soma a fatores estruturais próprios. A Pesquisa Global de Escassez de Talentos da ManpowerGroup, referente a 2026, indica que 8 em cada 10 empregadores no Brasil têm dificuldade para preencher vagas — um sinal de que o problema atravessa vários setores, mas atinge a construção civil com intensidade particular, dado o tipo de qualificação técnica exigida.
Dirigentes da CBIC e pesquisadores têm apontado um conjunto de causas que se reforçam mutuamente:
A escassez de mão de obra pressiona diretamente prazos de entrega, custos de construção e a qualidade final das obras — justamente em um momento de forte atividade do setor. Em 2024, o investimento em infraestrutura no Brasil atingiu recorde histórico de R$ 280 bilhões (2,3% do PIB), cerca de 80% oriundo de capital privado. No primeiro semestre de 2026, a construção civil gerou 168.962 empregos formais. Do lado da demanda habitacional, o déficit no Brasil ultrapassa 5,8 milhões de unidades, principalmente em áreas urbanas — o que mantém a pressão por mais obras, e portanto por mais trabalhadores qualificados, mesmo com a oferta de mão de obra limitada.
A resposta mais imediata do setor tem sido investir em qualificação. A CBIC, em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego, o Sesi e o Senai, discute desde o início de 2025 um pacote de qualificação para repor e atualizar o quadro de trabalhadores, dentro do que a entidade chama de Plano Nacional de Capacitação para a Construção Civil no Canteiro de Obras. A pauta também inclui iniciativas de diversificação da força de trabalho, como o programa Elas Constroem, voltado à maior participação feminina no setor.
Para lideranças da CBIC, parte da solução para a escassez de mão de obra não é apenas formar mais gente, mas também precisar de menos gente para as mesmas tarefas repetitivas — transferindo trabalho artesanal para processos industrializados e digitais. A entidade tem defendido a disseminação do BIM (Building Information Modeling) para reduzir erros de projeto e retrabalho em obra, além da modernização de processos construtivos.
Esse movimento aparece de forma concreta no crescimento da construção modular e pré-fabricada no país. O mercado brasileiro de construção pré-fabricada deve crescer cerca de 5,9% ao ano entre 2025 e 2029, podendo alcançar R$ 89,6 bilhões, segundo dados de mercado do setor. Na prática, a industrialização desloca parte do trabalho do canteiro para ambientes controlados de fábrica, onde componentes são produzidos com maior padronização e depois montados na obra — um modelo que pode reduzir o desperdício de materiais em até 35% e diminuir a exposição da obra a atrasos causados por fatores climáticos.
Para empresas e clientes que avaliam um construtor, a escassez de mão de obra qualificada é um fator relevante de risco de prazo e de variação de custo em qualquer obra de médio ou grande porte. Construtoras que investem em equipes próprias estáveis, em processos padronizados e em métodos construtivos que dependem menos de mão de obra escassa tendem a estar mais protegidas das oscilações desse mercado — um critério tão relevante quanto portfólio ou localização na hora de escolher com quem construir.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.