Publicado em 09/06/2026 • Sustentabilidade
Nos últimos anos, certificações como LEED, EDGE e AQUA-HQE deixaram de ser um diferencial raro para se tornar um critério cada vez mais presente em empreendimentos residenciais e comerciais de padrão elevado no Brasil. Essas certificações não avaliam apenas boas intenções de projeto: elas exigem comprovação técnica, auditoria documental e, em muitos casos, verificação em obra e após a entrega do empreendimento.
O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), criado pelo U.S. Green Building Council (USGBC), é hoje a certificação de construção sustentável mais difundida no Brasil. Segundo o GBC Brasil, entidade que representa o USGBC no país, o Brasil chegou a ter mais de 500 empreendimentos certificados e mais de mil registrados para certificação já em 2018, e o número segue crescendo. Em 2024, de acordo com o ranking global divulgado pelo USGBC, o Brasil liderou a América Latina em número de projetos certificados no ano — 125 novos projetos, um crescimento de cerca de 5% em relação a 2023 — e ficou entre os dez países e regiões com maior área certificada do mundo. Em anos anteriores, o país já havia figurado em 4º lugar nesse mesmo ranking, atrás apenas de China, Índia e Canadá.
Outro marco recente: em 2024, uma loja da Portobello em Curitiba (PR) se tornou o primeiro empreendimento do mundo certificado na nova versão do selo, o LEED v5, lançada pelo USGBC com exigências adicionais de projeção de carbono operacional e avaliação de resiliência climática, como riscos de enchente, ondas de calor e ventos extremos.
Um estudo de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que edifícios com certificação LEED conseguem valores de locação entre 4% e 8% superiores aos de imóveis convencionais equivalentes, além de menor tempo de vacância.
Criada em 2015 pela IFC (International Finance Corporation), braço do Banco Mundial voltado ao setor privado, a certificação EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies) vem crescendo no Brasil por oferecer um caminho mais direto: o projeto precisa comprovar redução mínima de 20% no consumo de energia, no consumo de água e na energia incorporada aos materiais de construção, sempre em comparação com uma edificação convencional de referência. Projetos que superam 40% de economia de energia podem alcançar o nível "Advanced". A avaliação é feita em duas etapas: uma certificação preliminar baseada no projeto e uma auditoria final, documental e presencial, para confirmar que o que foi projetado foi de fato executado em obra.
A certificação AQUA-HQE é aplicada no Brasil com exclusividade pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, com base na certificação francesa HQE (Haute Qualité Environnementale), adaptada em parceria com a USP às condições climáticas, culturais e normativas brasileiras. Diferente de sistemas focados quase só em desempenho técnico, o AQUA-HQE adota uma abordagem multicritério, avaliando o empreendimento em 14 categorias que vão de qualidade de vida e gestão de resíduos a escolha de matérias-primas de origem próxima à obra, para reduzir emissões de transporte, e sistemas de captação e reuso de água de chuva, dimensionados a partir de estudos pluviométricos regionais.
Além das certificações internacionais, o Brasil tem seu próprio sistema oficial de etiquetagem: o PBE Edifica, programa conduzido pelo Inmetro em parceria com a Eletrobras/PROCEL Edifica desde 2009. Ele confere a ENCE (Etiqueta Nacional de Conservação de Energia), com classificação de A, mais eficiente, a E, menos eficiente, para edificações residenciais, comerciais, de serviços e públicas. Desde agosto de 2014, essa etiquetagem é obrigatória para edificações novas ou reformadas da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. O programa existe porque as edificações respondem por uma fatia expressiva do consumo elétrico do país: o setor residencial concentra cerca de 26% do consumo nacional de eletricidade, e o setor comercial, 17%.
Cumprir os critérios dessas certificações depende de escolhas concretas de projeto e obra. Entre as que mais ganham espaço no Brasil estão:
Certificações verdes não substituem a avaliação de projeto, execução e acabamento de uma obra, mas funcionam como um selo de terceira parte, auditado de forma independente, que comprova que decisões de sustentabilidade tomadas no papel foram de fato verificadas na prática. Para quem constrói um imóvel de alto padrão, entender a diferença entre esses sistemas ajuda a fazer perguntas mais precisas ao contratar um projeto: qual certificação faz sentido para o uso do imóvel, qual o nível de exigência técnica envolvido e o que precisa ser documentado desde o início, já que a maioria dessas certificações exige registro e acompanhamento desde as fases iniciais do projeto, não algo que se adiciona no fim da obra.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.