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Tipos de cimento: CP II, CP III, CP IV ou CP V — qual usar em cada etapa da obra

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Tipos de cimento: CP II, CP III, CP IV ou CP V — qual usar em cada etapa da obra

Publicado em 03/10/2026  •  Materiais

Na loja de material de construção, os sacos de cimento parecem todos iguais: 50 kg, papel kraft, uma sigla impressa em destaque. Mas CP II-E 32, CP III 40 RS e CP V ARI são produtos com composição e comportamento diferentes, e escolher o tipo certo para cada etapa da obra faz diferença na resistência, na durabilidade e até no risco de fissuras.

A norma que manda: ABNT NBR 16697

Desde 2018, os requisitos do cimento Portland vendido no Brasil estão reunidos na ABNT NBR 16697 (Cimento Portland – Requisitos). Ela unificou em um só documento as oito normas de especificação que existiam antes — uma para cada tipo de cimento, como a NBR 5732 (cimento comum), a NBR 11578 (composto) e a NBR 5735 (alto-forno) — e teve a edição confirmada pela ABNT em 2023. É a ela que o fabricante precisa atender, e é ela que deve ser citada no memorial descritivo e no contrato de fornecimento.

Todo cimento Portland parte do mesmo princípio: clínquer (calcário e argila calcinados a cerca de 1.450 °C) moído com gesso, que controla o tempo de pega. O que diferencia os tipos são as adições misturadas ao clínquer — escória granulada de alto-forno, materiais pozolânicos e fíler calcário — e a proporção de cada uma.

Como ler a sigla do saco

A identificação tem três partes:

  • O tipo (CP I a CP V): indica a composição básica do cimento.
  • A letra depois do tipo: no CP II, mostra a adição predominante — E de escória, Z de pozolana e F de fíler calcário.
  • O número (25, 32 ou 40): é a classe de resistência, a resistência mínima à compressão aos 28 dias, em MPa, medida em ensaio padronizado de argamassa feito em laboratório (NBR 7215). Não é a resistência do concreto da sua obra, que depende do traço, da água e da cura.

Podem aparecer ainda os sufixos RS (resistente a sulfatos) e BC (baixo calor de hidratação), que indicam requisitos adicionais atendidos pelo produto.

Os tipos de cimento e onde cada um se encaixa

CP II-E, CP II-Z e CP II-F — cimento composto

É o que mais se encontra no varejo e o que costuma resolver a obra residencial comum: concreto de fundações, vigas, pilares e lajes, além de argamassas de assentamento e revestimento.

  • CP II-E: leva de 6% a 34% de escória de alto-forno, o que reduz o calor liberado durante a hidratação e melhora o desempenho em ambientes mais agressivos.
  • CP II-Z: leva de 6% a 14% de pozolana, adição que torna o concreto menos permeável com o passar do tempo.
  • CP II-F: tem fíler calcário (até 25% pela norma atual). É muito usado em argamassas de assentamento, chapisco, emboço e reboco e também atende concreto armado em condições comuns.

CP III — cimento de alto-forno

Tem alto teor de escória: pela NBR 16697, até 75% da massa, com no mínimo 25% de clínquer. Ganha resistência mais devagar nas primeiras idades, mas oferece concreto mais denso, com menor calor de hidratação e melhor comportamento diante de agentes agressivos. É indicado para fundações em solo úmido ou agressivo, estruturas enterradas, reservatórios, estações de tratamento de esgoto, barragens e peças de grande volume.

CP IV — cimento pozolânico

Leva teor elevado de pozolana (em muitos casos cinza volante de termelétricas ou argila calcinada). Assim como o CP III, gera menos calor e produz concreto pouco permeável, por isso aparece em obras em contato com água, esgoto ou solos com sulfatos, em fundações e em estruturas subterrâneas.

CP V ARI — alta resistência inicial

Moído mais fino e com pouca adição, ganha resistência muito rápido: no ensaio normalizado, precisa atingir pelo menos 14 MPa com apenas um dia. É o preferido das fábricas de pré-moldados e blocos, de peças protendidas e de reparos que precisam ser liberados rápido. Em contrapartida, libera mais calor na hidratação e, em peças espessas, aumenta o risco de fissuras de origem térmica — não é a escolha automática para a laje de casa.

Qual escolher na sua obra

Não existe um cimento “melhor” no geral; existe o mais adequado para cada uso, e a definição final é do responsável técnico, junto com o traço. Como orientação:

  • Estrutura de concreto armado de casa (sapatas, vigas, pilares, lajes moldadas no local): CP II-E, CP II-Z ou CP II-F de classe 32 ou 40, conforme especificado no projeto estrutural.
  • Fundações em solo úmido, terreno com lençol alto ou contato com esgoto: CP III ou CP IV, ou versões RS quando houver sulfatos no solo ou na água.
  • Reservatórios, piscinas e cisternas: cimentos com escória ou pozolana tendem a dar concreto menos permeável, sempre associados a um bom traço, adensamento e impermeabilização.
  • Argamassas de assentamento e revestimento: CP II (especialmente o F) é o mais comum; para assentamento de revestimento cerâmico, use argamassa colante industrializada, não argamassa de cimento e areia.
  • Reparos rápidos e pré-moldados: CP V ARI.

Se o concreto vier de usina, o tipo de cimento entra na especificação junto com o fck e a classe de agressividade ambiental definida pela NBR 6118. Vale conferir na nota fiscal e no documento de entrega se o que chegou é o que foi pedido.

Armazenamento: onde muita obra perde cimento

Cimento reage com a umidade do ar. Saco empedrado ou com grumos que não se desfazem com a mão já perdeu parte da capacidade de ganhar resistência e não deve ir para a estrutura. Os cuidados mais citados em especificações técnicas de obras públicas, como as da Prefeitura de São Paulo, são:

  • Guardar em local coberto, fechado e ventilado, longe de paredes úmidas.
  • Apoiar as pilhas sobre estrados de madeira, afastados pelo menos 30 cm do piso, nunca direto no chão ou no contrapiso.
  • Não empilhar mais de 10 sacos de altura, para não compactar os de baixo.
  • Usar primeiro os sacos mais antigos e respeitar o prazo de cerca de 90 dias a partir da fabricação, informado na embalagem.

Na Electo Maciel Construtora, o tipo de cimento é definido junto com o projeto estrutural e as condições do terreno, e o recebimento e a estocagem fazem parte do controle de qualidade do canteiro. Se você vai construir ou reformar em Piranga ou região, fale com a nossa equipe para planejar a obra com os materiais certos desde a fundação.

Fontes

  • ABNT NBR 16697:2018 — Cimento Portland: Requisitos (edição confirmada em 2023)
  • ABNT NBR 7215 — Cimento Portland: Determinação da resistência à compressão de corpos de prova cilíndricos
  • ABNT NBR 6118 — Projeto de estruturas de concreto (classes de agressividade ambiental)
  • Sienge — “Cimento: diferentes tipos e aplicações” (resumo das mudanças da NBR 16697)
  • Prefeitura de São Paulo — termos de referência para obras (armazenamento de cimento em estrados, pilhas de até 10 sacos e prazo de 90 dias)

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Arthur Silvio