Publicado em 07/10/2026 • Materiais
A madeira continua presente em quase toda obra residencial brasileira, mesmo quando a estrutura principal é de concreto e alvenaria. Ela aparece no madeiramento do telhado, nas formas e escoras da concretagem, em portas, batentes, pisos, decks e pergolados. Em Piranga e na Zona da Mata mineira, onde o clima é úmido em boa parte do ano e os cupins são um problema conhecido, escolher a madeira certa, exigir o tratamento adequado e comprovar a origem legal do material faz diferença direta na durabilidade da casa e na segurança jurídica de quem constrói.
É útil separar dois grupos. O primeiro é a madeira de uso temporário: tábuas, pontaletes e chapas de compensado usadas em formas, escoramentos, andaimes e barracões. O segundo é a madeira que fica incorporada à edificação: tesouras, terças, caibros e ripas do telhado, estruturas de pergolados e varandas, esquadrias, pisos e revestimentos. Aqui a exigência é outra, porque a peça precisa durar décadas, resistir a umidade e insetos e, no caso estrutural, ser dimensionada por um profissional habilitado.
O projeto de estruturas de madeira no Brasil segue a ABNT NBR 7190, revisada em 2022 e hoje dividida em partes, com a primeira tratando dos critérios de dimensionamento e as demais dos ensaios de caracterização. A norma organiza as madeiras em classes de resistência: as coníferas, como pinus, recebem a letra C, e as folhosas (dicotiledôneas), como eucalipto, peroba, garapeira e angelim, recebem a letra D, seguida de um número ligado à resistência à compressão. Uma peça classe D40, por exemplo, é mais resistente que uma D30. A revisão de 2022 alterou o enquadramento de algumas espécies e tornou mais rigorosas certas verificações.
Na prática, isso significa que um telhado com vãos grandes, uma cobertura de varanda sem apoios intermediários ou um mezanino de madeira não devem ser resolvidos “no olho”. O engenheiro define espécie ou classe, seções, ligações e contraventamentos, e a obra precisa receber peças compatíveis com o que foi especificado. Outro ponto da norma que vale para qualquer comprador é a umidade: os valores de resistência são referidos a madeira seca, com umidade de referência de 12%. Madeira verde retrai depois de instalada, empena, abre fendas e afrouxa pregos e parafusos.
A madeira se deteriora principalmente por fungos apodrecedores, que dependem de umidade, e por insetos xilófagos, com destaque para os cupins. Algumas espécies nativas têm alta durabilidade natural no cerne, mas o alburno (a parte mais externa e clara do tronco) costuma ser vulnerável em quase todas elas. Já as madeiras de reflorestamento mais usadas, como pinus e eucalipto, têm baixa durabilidade natural e só são indicadas para uso permanente quando passam por tratamento preservativo industrial.
Para orientar essa escolha existe a ABNT NBR 16143, que estabelece um sistema de categorias de uso para madeiras. A ideia é simples: a peça é classificada conforme as condições a que estará exposta, desde o interior seco e protegido até o contato direto com o solo ou com água, e para cada situação a norma indica o nível de proteção exigido. Segundo a Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira (ABPM), a norma foi pensada justamente para ajudar engenheiros e arquitetos a combinar espécie e tratamento, evitando ataque de insetos e apodrecimento.
No tratamento industrial, a madeira seca entra em um cilindro fechado (autoclave), passa por vácuo para retirar o ar das células, recebe a solução preservativa sob pressão e termina com um novo vácuo para remover o excesso. Os produtos mais conhecidos no mercado são à base de cobre, como o CCA e o CCB. Pincelar ou mergulhar a peça em produto na própria obra protege apenas a superfície e não substitui o tratamento em autoclave nas situações de maior risco, como mourões, peças em contato com o solo e estruturas expostas à chuva.
Dois cuidados acompanham a madeira tratada. Cortes e furos feitos na obra expõem o miolo, que pode não ter sido atingido pelo preservativo, e devem receber reforço de produto indicado pelo fabricante. E sobras e serragem de madeira tratada não devem ser queimadas em fogão, churrasqueira ou fogueira: precisam seguir a gestão de resíduos da obra, porque contêm metais do preservativo.
Madeira nativa só pode ser transportada, armazenada e comercializada com o Documento de Origem Florestal (DOF), licença emitida no sistema do Ibama. Desde dezembro de 2022 está em operação o DOF+ Rastreabilidade, integrado ao Sinaflor, e o Instituto Estadual de Florestas (IEF) passou a adotá-lo em Minas Gerais no lugar do antigo sistema estadual de controle. Órgãos ambientais estaduais orientam que a exigência alcança também empreendimentos de construção civil, no local da obra onde a madeira é armazenada e consumida.
A Instrução Normativa Ibama nº 21/2014 lista quais produtos precisam de DOF e dispensa itens acabados para uso final, como portas, janelas e móveis prontos. Madeira serrada, vigas, caibros, tábuas e pranchas de espécies nativas, por outro lado, entram na regra. Além disso, a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) tipifica como crime receber ou adquirir madeira para fins comerciais ou industriais sem exigir do vendedor a licença correspondente. Por isso, ao comprar madeira nativa, peça sempre a nota fiscal acompanhada do DOF e confira se a espécie e o volume batem com o que foi entregue.
Madeiras plantadas, como pinus e eucalipto de reflorestamento, seguem regras diferentes e em geral dispensam o DOF, o que é mais um argumento a favor delas quando bem tratadas: além de mais baratas e de origem renovável, simplificam a documentação.
Madeira bem escolhida é um material eficiente, renovável e de ótimo acabamento, mas exige o mesmo rigor técnico de qualquer outro componente estrutural. Projeto conforme a NBR 7190, tratamento compatível com a categoria de uso definida pela NBR 16143 e origem comprovada pelo DOF formam o tripé que evita telhado cedendo, cupim no madeiramento e problema com a fiscalização ambiental. Na Electo Maciel Construtora, especificação e recebimento da madeira fazem parte do controle de qualidade da obra, do telhado às esquadrias.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
Obras reais da Electo Maciel Construtora em Minas Gerais. Toque para ver a obra completa.