Publicado em 15/10/2026 • Estruturas
Light steel frame (LSF), ou simplesmente steel frame, é o sistema em que a estrutura da casa é feita de perfis leves de aço galvanizado, formados a frio, montados em painéis e fechados com chapas — em vez de pilares, vigas de concreto e paredes de tijolo. É uma construção "a seco": quase não leva água no canteiro além da fundação, e a maior parte do trabalho é corte, parafusamento e montagem. Para quem pensa em construir, a pergunta prática não é se o sistema é moderno, mas o que ele exige de projeto, de mão de obra e de manutenção para entregar uma casa durável.
A estrutura é formada por montantes verticais (os perfis que fazem o papel do "pilar" da parede) e guias horizontais que os amarram em cima e embaixo. Os montantes ficam alinhados em uma modulação fixa — é comum trabalhar com espaçamentos de 400 mm ou 600 mm, definidos pelo projeto estrutural e pelo tipo de chapa de fechamento. A estabilidade lateral vem do contraventamento, feito com fitas de aço em X ou com chapas estruturais parafusadas ao painel. Lajes e telhados seguem a mesma lógica, com perfis alinhados aos montantes para que a carga desça de forma direta até a fundação.
Por fora, a parede costuma receber chapa de OSB ou placa cimentícia, membrana hidrófuga e o acabamento final; por dentro, chapas de gesso acartonado. O vão entre as faces é preenchido com isolante, como lã de vidro, lã de rocha ou lã de PET. É esse "sanduíche" que responde pelo desempenho térmico e acústico — o aço sozinho só cuida da estrutura.
Durante anos o sistema foi tratado como inovação, avaliado caso a caso. Isso mudou em 2022, quando a ABNT publicou a NBR 16970, dedicada ao light steel framing com fechamentos em chapas delgadas, dividida em três partes:
Os perfis em si são regidos pela NBR 15253, que trata dos perfis de aço formados a frio com revestimento metálico para painéis estruturais. E, como qualquer habitação, a casa precisa atender à NBR 15575, a norma de desempenho, que vale independentemente do método construtivo.
Existe ainda o caminho do SiNAT, do PBQP-H (Ministério das Cidades), em que sistemas de fabricantes específicos recebem um Documento de Avaliação Técnica (DATec). O DATec vale para aquele sistema, naquelas condições de uso — por exemplo, casas térreas e sobrados — e não é um aval genérico para qualquer obra em steel frame. Esse tipo de documento costuma ser exigido por agentes financeiros em programas habitacionais, por isso vale perguntar ao banco, antes do projeto, qual documentação ele pede para financiar a obra no sistema.
Como os perfis são finos, a durabilidade depende do revestimento de zinco. A classe é indicada pela massa mínima de zinco por metro quadrado: em avaliações técnicas do SiNAT, por exemplo, aparece a exigência de perfis com espessura mínima de 0,8 mm e revestimento Z275 (275 g/m²) em atmosfera urbana e rural, subindo para Z350 em ambiente marinho. Em Piranga e na Zona da Mata mineira, longe do litoral, o ambiente é menos agressivo — mas o problema real costuma estar no detalhe, não no clima:
A casa em steel frame é leve, o que costuma reduzir a carga na fundação. O radier — uma laje de concreto apoiada no terreno — é a solução mais usada, mas não é obrigatória: terreno inclinado, solo mole ou corte e aterro pedem sapatas, vigas baldrame ou estacas, como em qualquer obra, e a escolha depende de sondagem e de projeto. O que muda é a exigência de precisão: a estrutura é montada com tolerâncias de milímetros, então fundação fora de nível ou de esquadro aparece em todos os painéis acima dela. As ancoragens que prendem os painéis à fundação também são parte do projeto estrutural, porque resistem ao vento.
Elétrica e hidráulica passam pelo interior das paredes, aproveitando os furos dos montantes, o que dispensa rasgar alvenaria. Em contrapartida, tudo precisa estar definido antes do fechamento: posição de tomadas, pontos de água, ar-condicionado, aquecedor e, principalmente, os reforços para pendurar armários, bancadas suspensas, televisores e redes. Peso pendurado em parede de gesso sem reforço previsto é a reclamação mais comum de quem mora em casa de construção a seco.
Os pontos a favor são conhecidos: canteiro mais limpo, menos entulho, menor consumo de água, prazo de obra mais curto e previsibilidade maior, já que boa parte das peças chega cortada e numerada. A estrutura leve também ajuda em terrenos com capacidade de suporte limitada e em ampliações sobre construções existentes, quando o projeto confirma que a base aguenta.
As limitações também precisam entrar na conta. A mão de obra qualificada é menos disponível no interior do que a de alvenaria, e o sistema não perdoa improviso: um montante cortado para passar um cano, sem reforço, compromete a parede. O custo por metro quadrado depende muito da escala, da logística dos perfis e do padrão de acabamento — não há regra de que seja sempre mais barato ou mais caro que a alvenaria. E o comprador precisa se acostumar com uma lógica diferente de manutenção: fixações com buchas próprias, inspeção de vedações e atenção a qualquer sinal de umidade nas paredes.
Steel frame não é atalho nem modismo: é um sistema industrializado que funciona bem quando projeto e execução são tratados com a mesma seriedade de uma estrutura de concreto. A Electo Maciel Construtora avalia, para cada obra em Piranga e região, qual sistema construtivo faz mais sentido para o terreno, o prazo e o orçamento — e detalha essa escolha no projeto antes de começar.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
Obras reais da Electo Maciel Construtora em Minas Gerais. Toque para ver a obra completa.