Publicado em 13/10/2026 • Demolição
Muita obra nova em Piranga e na região começa com uma casa velha no terreno: a construção dos avós que não comporta mais a família, o imóvel comprado barato justamente porque precisa ir abaixo, o galpão que deu lugar a um projeto residencial. A demolição costuma ser tratada como um serviço menor, o "tirar o que está lá" antes da obra de verdade, e é por isso que ela concentra tanto acidente, briga com vizinho e problema de documentação. Derrubar uma edificação é uma obra com projeto, responsável técnico e licença, só que ao contrário.
A maior parte dos municípios exige alvará ou licença de demolição na prefeitura, normalmente com a indicação do responsável técnico (engenheiro com ART ou arquiteto com RRT) e, em alguns casos, com o plano de destinação do entulho. Em imóvel tombado ou situado em área de proteção do patrimônio, a demolição depende ainda da manifestação do órgão de preservação, assunto que tratamos no post sobre restauro de casarões.
Há duas pontas que quase sempre são esquecidas:
Também vale um cuidado prévio com as concessionárias: pedir à Cemig o desligamento e a retirada do medidor, e ao serviço de água e esgoto o corte e o tamponamento do ramal. Demolir com o ramal de energia ainda ligado é uma das situações mais perigosas que existem em canteiro.
A Norma Regulamentadora nº 18, do Ministério do Trabalho, trata da demolição no item 18.7.1. A exigência central é um plano de demolição elaborado por profissional legalmente habilitado, que identifique os riscos de cada etapa e as medidas de prevenção. Segundo resumo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), esse plano deve considerar:
A referência técnica clássica para contratação e execução é a ABNT NBR 5682 (Contratação, execução e supervisão de demolições). A norma consta como cancelada no catálogo da ABNT, mas ainda é citada em cadernos de encargos e contratos públicos como guia de boas práticas, principalmente na exigência de um programa com as fases da demolição aprovado antes do início.
Uma demolição bem conduzida segue uma sequência lógica, que inverte a ordem da construção:
A demolição mecânica, com escavadeira ou miniescavadeira, é mais rápida e reduz a exposição dos trabalhadores, mas exige espaço de manobra e controle rigoroso perto de divisas. Em lote estreito, colado no vizinho, é comum combinar as duas: manual junto da divisa, mecânica no restante. Umedecer o material durante o serviço reduz a poeira, que é a principal reclamação da vizinhança.
Vibração, impacto de material e escavação próxima à divisa podem trincar a casa ao lado, e casa antiga de vizinho, sobretudo de adobe ou alvenaria sem estrutura, é sensível. Duas medidas evitam a maior parte dos problemas: tapume e proteção física na divisa (bandejas, telas, escoramento de muros compartilhados) e uma vistoria cautelar de vizinhança antes do início, com fotos e registro das fissuras que já existem. Sem esse laudo, toda trinca que aparecer depois vira discussão sobre quem causou.
Boa parte das casas construídas até a década de 2000 tem telhas, caixas d'água ou divisórias de fibrocimento com amianto. A extração, comercialização e uso do amianto crisotila foram proibidos no Brasil depois que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional, em 2017, o artigo da Lei Federal 9.055/1995 que permitia o uso dessa fibra. O que já está instalado, porém, continua lá, e vira problema justamente na demolição.
A Resolução CONAMA 348/2004 incluiu o amianto na classe D dos resíduos da construção civil, a dos resíduos perigosos. Na prática, isso significa que telha e caixa d'água de amianto não podem ser quebradas a esmo nem misturadas ao entulho comum: devem ser retiradas inteiras sempre que possível, com o material umedecido, trabalhadores com proteção respiratória adequada, e encaminhadas por empresa licenciada a aterro autorizado para resíduos perigosos. O orçamento da demolição precisa prever esse custo separado.
O restante do material segue a lógica da Resolução CONAMA 307/2002: separar no canteiro o que é classe A (concreto, tijolo, telha cerâmica, reaproveitável como agregado reciclado), classe B (madeira, metal, papel, plástico, vidro), e assim por diante. Entulho não pode ser lançado em terreno baldio, em curso d'água ou na rede de drenagem, e a caçamba precisa ser de empresa licenciada. Guardar os comprovantes de destinação protege o proprietário caso a prefeitura ou o órgão ambiental questionem depois.
Bem planejada, a demolição já prepara o terreno para o que vem depois: a área limpa permite sondagem e levantamento topográfico confiáveis, as fundações antigas são removidas ou mapeadas para não interferirem nas novas, e a matrícula fica pronta para receber a averbação da construção nova. A Electo Maciel Construtora conduz esse processo junto com o projeto e a execução da obra, do pedido de licença à retirada do último caminhão de entulho, para que o terreno chegue à fundação sem pendência técnica, legal ou ambiental.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
Obras reais da Electo Maciel Construtora em Minas Gerais. Toque para ver a obra completa.