Publicado em 11/08/2026 • Custos e orçamento
A primeira pergunta de quem pensa em construir é sempre a mesma: quanto vai custar? E a resposta mais repetida também é sempre a mesma — pegue a metragem, multiplique pelo CUB e pronto. O problema é que essa conta responde a uma pergunta diferente da que foi feita. O CUB não é o custo da sua obra; é o custo de uma obra de referência, definida em norma, com uma lista explícita de coisas que ficam de fora. Entender essa diferença é o que separa um orçamento que se sustenta até a entrega de uma planilha que estoura no meio da execução.
O CUB (Custo Unitário Básico) é calculado mensalmente por cada Sinduscon estadual, seguindo a metodologia da ABNT NBR 12721. Ele acompanha uma cesta representativa de materiais, mão de obra e despesas administrativas aplicada a projetos-padrão definidos pela norma — residências de um pavimento, prédios de oito andares, galpões industriais, cada um com padrão de acabamento baixo, normal ou alto. É, antes de tudo, um indicador de variação de custo: serve para atualizar contratos, corrigir parcelas de financiamento e medir se o setor está mais caro ou mais barato que no mês passado.
Em Minas Gerais, os números recentes mostram bem o porquê de acompanhá-lo. Segundo o Sinduscon-MG, o CUB/MG chegou a R$ 2.548,75 por metro quadrado em julho de 2026, contra R$ 2.354,47 em janeiro — uma alta acumulada de 8,25% em sete meses, bem acima da inflação oficial do período, de 3,5%. O detalhe mais importante está na composição dessa alta: a mão de obra subiu 12,84% no acumulado do ano, enquanto os materiais avançaram 3,61%. Ou seja, o encarecimento não veio do cimento nem do aço — veio de quem executa. Para quem vai contratar uma obra em 2026, isso muda a estratégia: economizar cortando equipe qualificada é exatamente o inverso do que os dados sugerem.
Ao lado do CUB existe o SINAPI, produzido pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal desde 1969. Ele coleta preços medianos de materiais, salários e composições de serviços em todos os estados, e é a referência obrigatória para obras públicas com recursos federais. Em junho de 2026, o custo nacional da construção medido pelo SINAPI foi de R$ 1.976,37 por metro quadrado, sendo R$ 1.114,74 de materiais e R$ 861,63 de mão de obra. O índice registrou alta de 1,19% no mês — a maior desde 2022 — acumulando 7,26% em doze meses, também puxado pela mão de obra, que subiu 1,55% no mês por conta de acordos coletivos.
CUB e SINAPI não são concorrentes nem devem bater entre si: medem cestas diferentes, com finalidades diferentes. O CUB é regional e voltado à incorporação; o SINAPI é nacional, detalhado por serviço, e permite descer ao nível de composição unitária — quanto custa um metro quadrado de contrapiso, um metro linear de tubulação. Um serve para estimar e reajustar, o outro para orçar item a item.
Aqui está a origem da maior parte das frustrações. A NBR 12721 lista expressamente o que não está contemplado no CUB, e a lista é longa: fundações especiais, submuramentos, paredes-diafragma, tirantes, rebaixamento de lençol freático, elevadores, instalações e equipamentos específicos, obras e serviços complementares como urbanização, paisagismo, playground e piscina, além de projetos, impostos, taxas, emolumentos, licenças, o terreno e a remuneração do construtor e do incorporador.
Repare no que essa lista significa na prática. Um terreno em declive na região de Piranga pode exigir contenção, corte, aterro e fundação profunda — nada disso entra no CUB. O projeto arquitetônico, o estrutural, o hidrossanitário e o elétrico não entram. O alvará, o ITBI, o registro em cartório e a averbação não entram. O lucro de quem executa não entra. Multiplicar área por CUB e tratar o resultado como orçamento é subestimar a obra por construção metodológica, não por azar.
Na prática, um orçamento evolui em três estágios, e cada um serve a uma decisão diferente:
A distribuição do custo entre as etapas varia bastante com o terreno e o padrão de acabamento, mas as faixas costumam se repetir: fundação entre 3% e 7% em terreno favorável (podendo passar bem disso em aclive ou declive acentuado), estrutura entre 12% e 20%, vedações entre 10% e 19%, instalações elétricas e hidráulicas somando algo perto de 17% a 20%, e acabamentos entre 20% e 38% — a etapa mais elástica de todas, e por isso a mais perigosa de deixar sem definição. Uma obra orçada com acabamento indefinido não está orçada.
Poucas obras estouram por causa de um item caro imprevisto. Estouram por acúmulo: projeto incompleto que gera decisão no canteiro, quantitativo estimado "por cima", mudança de escopo durante a execução, retrabalho por sequenciamento errado, e reajuste de custo ao longo do tempo — que com mão de obra subindo perto de 13% ao ano deixa de ser detalhe em uma obra de doze meses. A defesa contra cada um desses é a mesma: projeto executivo completo antes de começar, quantitativos tirados do desenho e não do chute, contrato com escopo escrito e critério de reajuste definido, e uma reserva de contingência explícita na planilha — não como gordura escondida, mas como linha declarada.
Se você está no começo, use o CUB para o que ele é bom: dimensionar a ordem de grandeza e acompanhar se o mercado está subindo ou descendo. Depois, exija um orçamento analítico antes de assinar qualquer coisa — e compare propostas item a item, não pelo valor final. Duas propostas com o mesmo total podem esconder padrões de acabamento e escopos completamente diferentes, e a mais barata frequentemente é a que deixou serviços de fora para ganhar a concorrência e cobrar depois como aditivo.
Orçamento bom não é o menor número: é o número que continua verdadeiro no dia da entrega. Na Electo Maciel Construtora, esse é o critério com que abrimos qualquer conversa de obra em Piranga e região — porque um cliente que sabe exatamente o que está contratando é também o cliente que não tem surpresa no meio do caminho.
A Electo Maciel Construtora acompanha cada etapa da obra com engenharia de verdade, do projeto à entrega.
Obras reais da Electo Maciel em Piranga e região. Toque para ver a obra completa.